Lídia Jorge é a vencedora do Prémio Camões 2026

A escritora Lídia Jorge é a vencedora do Prémio Camões 2026, o mais importante galardão da literatura em língua portuguesa. O júri, composto por duas personalidades portuguesas e duas brasileiras, além de dois representantes dos países africanos de língua oficial portuguesa, deliberou por unanimidade, destacando «o diversificado conjunto da sua obra e o grande contributo para o enriquecimento do património literário e cívico-cultural da língua portuguesa». 

Na fundamentação da decisão, o júri destacou ainda uma escrita «marcada por uma prosa poética densa», dedicada à exploração de temas como o passado ditatorial e a transição democrática em Portugal, a condição feminina, a emigração, os conflitos geracionais, as transformações sociais e o papel da memória coletiva na construção da identidade contemporânea. 

Pelo segundo ano consecutivo, esta distinção é dada a uma escritora que tem espelhado nos seus livros as mudanças que a sociedade portuguesa tem tido. No ano passado, a vencedora foi a angolana Ana Paula Tavares.

Para o Ministério da Cultura, Juventude e Desporto, «o Prémio Camões 2026 reconhece uma das mais relevantes vozes da literatura portuguesa contemporânea. Ao longo de décadas, Lídia Jorge construiu uma obra de enorme exigência intelectual e literária, contribuindo para afirmar a língua portuguesa como espaço de criação, pensamento e diálogo entre culturas». 

Em todos os seus livros, a escritora tem apresentado a evolução que o povo português (a sua «personagem principal») tem vivido nas últimas décadas — desde o passado colonial, passando pela transição democrática e sem esquecer o papel e o poder feminino.

Nascida em Boliqueime, em 1946, Lídia Jorge estreou-se na ficção com O Dia dos Prodígios, publicado em 1980. Ao longo de mais de quatro décadas de atividade literária, construiu uma obra amplamente reconhecida em Portugal e no estrangeiro, com obras traduzidas em diversas línguas e estudadas em universidades de vários países. 

Entre as várias distinções, destacam-se o Prémio FIL de Literatura em Línguas Românicas, atribuído em 2020, e o Prémio Pessoa 2025. O romance Misericórdia (2022) recebeu o Prémio Médicis para romance estrangeiro e o Prémio Estatal Austríaco de Literatura Europeia. No passado mês de junho, o Governo atribuiu-lhe a Medalha de Mérito Cultural em Loulé, no âmbito da 4ª edição do Fórum Cultura. 

Instituído em 1988 pelos Estados português e brasileiro, o Prémio Camões visa distinguir autores cuja obra contribua de forma relevante para a projeção e valorização da língua portuguesa. Tem um valor pecuniário de 100 mil euros, suportado em partes iguais por Portugal e pelo Brasil.

IMAGEN: Lídia Jorge (1946), escritora portuguesa y Premio Camões de Literatura 2026 (FOTO Vía: expresso.pt)

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